Aparentemente, o som, as letras e as melodias são semelhantes. Porém, aos ouvidos mais apurados e com um pouco mais de atenção, é possível diferenciar as duas vertentes deste ritmo: a caipira e a universitária.
O termo “caipira”, usado pelos paulistas ao se referirem a homens do campo, não tem nada a ver com gênero ou tipo de música. Sendo assim, as duplas caipiras têm o cantor principal (geralmente o que possui a voz mais aguda) e a segunda voz, que equilibra o timbre junto da melodia.
Na década de 1910, os compositores da música sertaneja provinham da roça e pregavam em suas canções letras românticas e comoventes, junto do canto e de um instrumento essencial: a viola. Ao contrário de suas letras, a dança era (e continua sendo) alegre, rítmica e com os famosos passinhos, os quais o homem leva a mulher.
Esses cantores não tinham muito dinheiro e faziam das rodas de viola uma distração, divertindo-se nas horas vagas. Eis que surge o pai da música sertaneja: Cornélio Pires, que enxergou futuro neste estilo musical. Ele produziu, no interior de São Paulo, as duplas pioneiras Laureano & Soares, Mandi & Sorocabinha, Mariano & Caçula e Zico Dias & Ferrinho. Em 1930, o duo Zico Dias & Ferrinho trouxe as canções "A Revolução Getúlio Vargas" e "A Morte de João Pessoa". Quatro anos depois, Mandi & Sorocabinha engajaram "A Crise" e "A Carestia".
A iniciativa de Cornélio teve boa repercussão e, a partir dos anos 1950, novas duplas começaram a ter espaço em gravadoras e nas rádios. Entre 1960 e 1970, aparecia Sérgio Reis, Renato Teixeira e o irreverente mineiro Tião Carreiro, que misturava viola com samba.
Com a urbanização e a modernidade, as duplas passaram a utilizar outros instrumentos e adaptar o estilo da música de acordo com o cotidiano das grandes cidades. Em 1980, a música sertaneja ganhou o seu primeiro sub-gênero: o sertanejo romântico, que não tinha o ritmo raiz. O violeiro Almir Sater mesclava a moda de viola com blues, enquanto o duo Chitãozinho & Xororó usava um pouco de country music com instrumentos elétricos, explodindo com o sucesso, “Fio De Cabelo”, no ano de 1982.
O sertanejo romântico trouxe também as grandes duplas Leandro & Leonardo e Zezé Di Camargo & Luciano.
Atualmente existe um terceiro gênero: o sertanejo universitário. Jovens cantores (as) solo ou duplas fazem letras simples, atuais e fáceis de gravar. As melodias dançantes e os hits sucesso viraram febre mundial.
Resumindo: enquanto alguns dos subgêneros da música sertaneja se tornaram moda e conquistaram públicos que vão além desta vertente, o sertanejo raiz (caipira) continua ligado à vida do homem do campo.
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